FATOS E INTERPRETAÇÕES
Coluna assinada pelo corpo docente da Unisul

Brasil se prepara para o envelhecimento, por Anna Quialheiro

12 Dezembro 2017 16:20:00

O Ministério da Saúde lançou este ano a estratégia para promoção do envelhecimento saudável. Neste documento, o Brasil aparece como o país que teve seu crescimento proporcional de idosos de forma exponencial, prospectando que em 2030 teremos mais idosos do que crianças e adolescentes. Da expectativa de vida que era de 45,4 anos em 1940 saltamos para 75,4 anos em 2015. Uma curiosidade também referente ao tempo em que um país alcançou 20% da população idosa em seu país, sendo que o Brasil estima alcançar no período de 2010 a 2035, ou seja, 25 anos enquanto países como a França levou 150 anos. Mas porque destacar esta diferença de tempo no alcance da proporção da nossa população? Isso mostra, claramente, quanto tempo temos para nos preparar para este fenômeno populacional que além de quantidade de anos, é fundamental pensarmos em qualidade de vida e capacidade funcional. 

Um exemplo da tentativa de preparo dos países é a indicação da OPAS sendo o Brasil signatário da estratégia e plano de ação para prevenção de demência em idosos. Este documento reconhece o rápido envelhecimento da população, aumento da incidência e prevalência da dependência associada às demências sendo assunto de saúde pública, questão de direitos humanos e prioridade para o desenvolvimento sustentável das sociedades.

Soma-se a isto a onda do avanço da tecnologia, necessidade de empreender e tudo sendo feito com muita inovação, a análise do papel do idoso na sociedade. O avanço tecnológico nos serviços para a comunidade traz consigo impactos sociais e culturais de mudança da interação interpessoal, humano-computador e, mais atualmente, humano-smartphone. Serviços que "tirava o indivíduo de casa" como pagamento de contas, ligações pelo orelhão, comprar fruta nas feiras locais, hoje tem sido substituído por um, ou alguns, touches. Além disso, aquele que era visto como o "aposentado" hoje tem sido estudada a saúde do trabalhador idoso, aquele que antes cuidava apenas do seu espaço, lutando por uma independência, hoje cuida de netos e muitos sustentam seus filhos casados.

O aumento da prevalência, por exemplo, de doenças degenerativas, mais amplamente as neurológicas como demências, incidentes nos idosos mais velhos, podem evidenciar ainda mais o processo de exclusão digital além do social que já vivem, em virtude da dificuldade de usar estes dispositivos que podem fornecer acesso a bens culturais e materiais fundamentais à manutenção da independência e autonomia que são bases para a saúde e a cidadania.

Neste ano, 2017, foi lançado um livro que instiga, no mínimo, nossa curiosidade: "O que você quer ser quando envelhecer?" Este livro mostra o lado da construção de um futuro que não é exclusivamente dependente do indivíduo mas também da comunidade em que vive e também da geração ao qual ele pertence e convive.

Com base na estratégia do Ministério da Saúde lançada este ano, a proposta é qualificar o atendimento à população idosa de todo o país reorganizando os serviços e capacitando profissionais. E está aí o foco da mudança cultural: conhecimento. E em um dos livros mais antigos do mundo, a bíblia, enfatiza "meu povo erra por falta de conhecimento". Precisamos conhecer mais quem é este idoso que vive entre nós e o qual seremos um dia, precisamos entender suas necessidades e a perspectiva de vulnerabilidade social. E volta ao pensamento: estamos preparados?

Professora da Unisul, Anna Quialheiro



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