FATOS E INTERPRETAÇÕES
Coluna assinada pelo corpo docente da Unisul

A tríplice hélice como alternativa de desenvolvimento

18 Outubro 2018 14:40:00

Estamos vivendo um período turbulento no Brasil. Além das crises econômica, política e institucional, passamos pelo período eleitoral com discussões políticas e eleitorais acirradas. Aliado a isso, e, independente de quem sairá vitorioso nas eleições, temos a necessidade de otimizar os recursos públicos dada a escassez dos mesmos, gerar qualificação de emprego e renda, melhorar a educação e a saúde, ampliar a arrecadação e desburocratizar o Estado, etc. Grandes desafios. É preciso fazer mais com menos, anunciam os governantes e gestores. No setor privado não é diferente: aumento de receitas, redução de gastos, reestruturação, criação de novos produtos, inovação constante..., mas, como fazer tudo isso? Em que prazo? Com quais recursos? Quais as responsabilidades? Quem serão os envolvidos? Estas são apenas algumas perguntas que precisam de reflexão, resposta, planejamento e execução. A criação de indicadores e metas, bem como de instrumentos de acompanhamento são essenciais para saber se o que se está fazendo está trazendo resultados efetivos, gerando sustentabilidade. Assim, é essencial planejar e executar as ações e planos com responsabilidade e objetivos claros, pois só assim termos desenvolvimento eficaz (seja no setor privado, seja no setor público). Em meio a este processo, a chamada tríplice hélice (setor produto, governo e universidades) pode ser uma grande alternativa para a solução de alguns destes problemas. Sempre com foco na solução, os problemas podem ser repartidos de acordo com as competências e recursos dos envolvidos. 

Vou trazer algumas situações/ideias para nossa reflexão: Será que não faz sentido comprar vagas nas universidades privadas e comunitárias (algumas delas ociosas e com alta qualidade) em vez de ampliar os recursos das universidades públicas (muitas sucateadas)? Equipar os laboratórios e compartilhar não é mais econômico que montar novos laboratórios (tanto para os laboratórios públicos quanto dos privados)? Firmar parcerias entre setor produtivo (que gerará a inovação e irá explorar os novos produtos e serviços) com as universidades (que tem competência instalada com seus mestres e doutores) para o desenvolvimento das pesquisas e a transferência do conhecimento ao setor produtivo e com o governo que tem condições de fomentar com recursos próprios e/ou com benefícios fiscais, não é uma alternativa para o fomento da economia? Os programas de incentivo a startups e criação de ambientes de inovação e empreendedorismo, que são tão essenciais no mundo atual não poderiam ser criados dentro do modelo da tríplice hélice? Estas são só algumas indagações que podem ser estudadas e articuladas. Tantas outras são merecedoras de análise e implementação.

O importante é perceber a necessidade das mudanças, do planejamento, da execução e do monitoramento do caminho e dos resultados, aliado as inúmeras possibilidades de união de forças para os desafios que temos para enfrentar. Em nome da Agência de Inovação e Empreendedorismo da Unisul (Agetec) coloco a universidade e seus pesquisadores/provedores de solução a disposição do setor produtivo e governos para juntos pensarmos em projetos e soluções. Inclusive, algumas das soluções já temos desenvolvidas.

Por Fábio Zabot Holthausen , professor e gerente de Inovação e Projetos de P&D da Agetec/Unisul



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