FATOS E INTERPRETAÇÕES
Coluna assinada pelo corpo docente da Unisul

A segurança das Urnas Eletrônicas

09 Outubro 2018 16:00:02

Por Luiz Otavio Botelho Lento, coordenador do curso Forense Aplicada a Crimes Virtuais na UnisulVirtual e consultor na área de segurança da informação

A urna eletrônica foi criada com o objetivo de informatizar o processo eleitoral brasileiro. A intenção, também, era a de banir as fraudes do processo como um todo.  Pioneiro, o Brasil foi um dos primeiros países a realizar uma votação eletrônica, o que trouxe ao País maior transparência, rapidez e confiança ao processo eleitoral.

No entanto, a questão da segurança da urna eletrônica tem sido questionada. Para isso, o TSE permite que qualquer pessoa possa testar as urnas; seja de forma autônoma ou ligada a alguma instituição acadêmica. Em 2009, o TSE criou um desafio, convidando hackers a invadirem a urna eletrônica usando apenas seus conhecimentos técnicos e impondo várias restrições. Foram 20 especialistas em segurança, os quais tentaram durante 4 dias seguidos acessar os dados de teste dentro dos aparelhos. Nenhum deles teve sucesso.

Em 2012, a equipe da UnB descobriu a ordem cronológica em que 474 eleitores votaram em uma das urnas onde o teste foi realizado. A simulação desenvolvida envolveu todos os procedimentos adotados em uma eleição, sendo utilizado 475 eleitores, o que representa um índice de acerto de 99,9% pelo grupo da Universidade. Os especialistas da UnB não conseguiram identificar os autores do voto, mas obtiveram os registros do horário exato de cada voto e revelaram que candidatos esses eleitores escolheram.

Em 2017 o professor da Unicamp, Diego de Freitas Aranha, coordenou uma equipe de profissionais num teste de segurança promovido pelo TSE. Foram alteradas as mensagens de texto exibidas ao eleitor na urna para fazer propaganda a um certo candidato. Comprovou-se a possibilidade de desviar voto de um candidato para outro, mas não tiveram tempo de testar esse tipo de ataque.

Apesar de todas as suposições, até hoje nunca foi comprovada qualquer fraude neste processo. Todavia, se o código da urna pudesse ser auditada, talvez essas críticas minimizassem. Essa afirmação deve-se ao fato de que um sistema pode ser avaliado, quanto a sua segurança da informação, quando o mesmo pode ser auditado.

Sendo assim, como um dos responsáveis no processo da criação da urna eletrônica, acredito em sua lisura. Apesar de todas as críticas e falácias, acreditem no processo eleitoral. Ele é limpo, rápido e seguro. Votem com responsabilidade e aceitem o resultado das urnas, ela é a voz do povo brasileiro.



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