ARTIGOS

artigo

Um fator positivo em meio ao caos, por Leonardo Rinaldi

A crise global ocasionada pelo avanço da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) nos cinco continentes, ao mesmo tempo que impacta negativamente em muitos setores da economia, pode ocasionar a quebra de um paradigma e gerar uma alta significativa no saldo da balança comercial brasileira em 2020. A avaliação é da equipe técnica do Ministério da Economia (MDIC), levando em consideração que até o final de março os mercados asiáticos representaram 44,5% das vendas externas brasileiras, sinalizando que neste ano os países do continente poderão se transformar no destino de mais da metade das nossas exportações.

A expectativa da equipe econômica do MDIC é justificada pelo grande aumento na aquisição de alimentos no primeiro trimestre pelos países asiáticos Com destaque para produtos como soja, carnes e outras commodities. Inclusive, mesmo sendo o primeiro país atingido pela pandemia, a China comprou praticamente 5% a mais entre janeiro e março, em comparação com igual período do ano passado. Carnes de frango, suína e bovina; soja, petróleo e minério de ferro foram os principais itens importados pelo tigre asiático. 

O fato do país ter controlado a pandemia e estar em recuperação de sua economia também contribui para as expectativas dos economistas. Além disso, o crescimento de outros mercados asiáticos neste ano é visto com otimismo. Além do avanço nas exportações para a China, as vendas para a Cingapura cresceram 256%, para a Coreia do Sul 19% e, para a Malásia, 15%. 

Esses países asiáticos tendem a compensar as perdas ocasionadas pela crise do Covid-19 em outros mercados importantes para o Brasil. As exportações para a América do Norte caíram 15% no trimestre, para a América do Sul o recuo foi de 13% e, para o Oriente Médio, de 27%. Já as exportações para a União Europeia e para a África apresentam certa estabilidade. 

A previsão é de que os impactos nesses dois mercados devem aparecer a partir de abril ou maio, embora ainda não tenha sido registrado cancelamentos nas rotas com Europa e Mediterrâneo para as próximas semanas. Os níveis de utilização dos navios também não demonstraram grandes variações até a 14ª semana deste ano, seja na expo ou na impo. Inclusive, com níveis superiores ao mesmo período do ano passado.

Aliado ao avanço nas exportações brasileiras de commodities para o continente asiático, a alta do câmbio tende a impactar significativamente nas importações brasileiras, que tendem a cair significativamente. Com o valor do dólar mais alto, menos compras de bens de capital e bens intermediários pela indústria brasileira, o governo acredita que as importações devem cair mais neste do que as exportações. No entanto, até março as importações brasileiras apresentavam avanço de 10,5%.

O fato do Brasil estar menos integrado às cadeias globais de produção também minimiza os impactos no comércio exterior. E lá se vai mais um paradigma. O que até agora era notadamente visto como um ponto negativo, no meio da crise, pode ser visto como algo mais ou menos vantajoso. Mas em hipótese alguma podemos esquecer que o cenário está bastante dinâmico e pode mudar de um dia para o outro. O fato atual é que hoje a pauta exportadora brasileira está focada em alimentos, produtos básicos e matérias primas. 


Por Leonardo Rinaldi, diretor da Logistique (Feira e Congresso de Logística e Negócios Multimodais de Cargas). O evento acontece de 1º a 3 de setembro, no Centro de Convenções da Expoville, em Joinville, SC. 


logo_rodape.png

Rua Adolfo Melo, 38 - Sala 902 - Centro | Florianópolis-SC | CEP: 88015-090 |
(48) 3298-7979 | jornalismo@adjorisc.com.br