ARTIGOS

Reuso da água: solução para um futuro próximo, por Alexandre Trevisan

07 Junho 2018 16:18:00

O reuso da água é uma prática comum e ocorre o tempo todo na natureza. O conceito é simples: é quando a água que já passou por um ciclo ou processo produtivo é reutilizada. A água utilizada para irrigar uma lavoura, por exemplo, acaba voltando para o solo ou o rio e, consequentemente, é usada para outros cultivos. Diante da grande demanda por esse bem na contemporaneidade, principalmente nas grandes cidades, o desafio é otimizar esse processo. 

O reuso da água pode ser para diversos fins. A divisão mais clássica é para fins potáveis e para fins não potáveis, ou seja, água própria para consumo humano ou não. O reuso para fins não potáveis é o mais comum, pois está ligado a processos produtivos: a água da chuva, por exemplo, é utilizada para rega de jardim. Outro exemplo é numa fábrica de celulose, onde a água para produzir um determinado material evapora no processo de cozimento e acaba tocando algumas turbinas para gerar energia.

Já o reuso para água própria para beber está ligado à necessidade. A capital da Namíbia, Windhoek, é uma cidade grande onde a prática de reuso para água potável ocorre desde 1980, justamente porque não há muita água disponível. Lá o esgoto da cidade é coletado, tratado em unidades específicas e depois lançado no mesmo lago de onde a água potável é distribuída, fechando o ciclo.

Esse tipo de reuso, para fins potáveis, é um dos temas de destaque do Congresso Catarinense de Saneamento (Concasan), na palestra da engenheira norte-americana Sandy Scott-Roberts, responsável pela ampliação do Sistema de Recarga de Águas Subterrâneas de Orange County, Califórnia. Por causa da escassez de água na região, eles usam a água de aquífero. Isso porque não existem muitos rios e a alternativa é utilizar a água subterrânea para distribuir para as cidades. Por lá, o esgoto é coletado, tratado e infiltrado no solo de novo.

A água de reuso já é uma realidade em Santa Catarina, mas no ambiente produtivo. Já vemos alguns municípios com leis para potencializar a reutilização de água de chuva. Temos práticas de reuso isoladas, mesmo em cidades tipicamente industriais, como Joinville e Blumenau. Mas ainda não existe distribuição.

Em algumas grandes cidades do mundo já se discute o reuso para fins potáveis dentro do ambientes urbanos, uma alternativa que pode ser economicamente mais viável do que para fins não potáveis: isso porque se tiver que ter rede de água não potável na cidade, seriam necessárias duas redes, o dobro do custo de transporte e distribuição, o dobro da estrutura de cobrança etc. Já o reuso para fins potáveis pode utilizar tudo isso na mesma tubulação. Existe, no entanto, uma barreira cultural a ser vencida. As pessoas terão que entender que estarão tomando água que já foi esgoto e esse é um dos maiores desafios, não só em SC mas em todo o mundo.

Se pararmos para pensar, cidades como Blumenau, por exemplo, ou Itajaí, são abastecidas com água de um rio que vem de outras cidades, ou seja, esse reuso já existe.

É uma questão iminente. Para a nova geração de engenheiros, já é uma realidade termos sistemas operando com reuso de água potável no Brasil.

Alexandre Trevisan, engenheiro químico e organizador do Congresso Catarinense de Saneamento - Concasan 2018 






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