ARTIGOS

Artigo

Os 100 anos de Celso Furtado e seu legado, por Carlos Chiodini

Conhecido como um dos economistas mais conceituados no mundo, Celso Furtado, completaria 100 anos em 26 de julho. Mestre da teoria econômica ainda é um exemplo de sabedoria no desenvolvimento de um país.

Autor da obra "Formação Econômica do Brasil", dentre outras tantas, possuía sólido e profundo conhecimento sobre a economia, como o comércio exterior e o crescimento econômico, os diversos ciclos da economia (açúcar, gado, ouro e café), a escravatura, a imigração e migração interna e o processo de industrialização.

O livro foi escrito em 1958, um momento de otimismo no Brasil, no final do governo de Juscelino Kubitschek. Na época, o slogan "cinquenta anos em cinco" definia o surto de desenvolvimento no período, a exemplo da indústria automobilística e de iniciativas de promoção do crescimento, como novas estradas e a criação da Sudene (Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste). Uma das obras mais vendidas no Brasil e traduzida em oito idiomas (inglês, francês, castelhano, italiano, romeno, polonês, japonês e chinês), ainda representa um marco na história das ciências sociais no Brasil. Inspirou e inspira estudos de gerações de pesquisadores e universitários não só na área da economia e da sociologia, como também no campo da política e da história brasileira.

Celso Furtado tinha originalidade, interpretação e uma visão única no modo amplo de ver e sentir. Assim como ele, sou estudioso da economia brasileira. Como agente político, passei pelo cargo de secretário Econômico e Desenvolvimento Sustentável de Santa Catarina. Sempre observo com atenção a história do passado do nosso país, com a finalidade de compreender o presente para, enfim, poder traçar um futuro promissor. Não há como prover um desenvolvimento econômico sem um olhar sensível ao campo social.

Analítico ao invés de descritivo, Celso lançou diversas hipóteses que geraram grandes debates na literatura e em linhas de pesquisa, área que levo como lema em meu mandato como deputado federal.

Sob uma visão especial de atenção ao desequilíbrio externo, o ilustre economista analisava as causas do subdesenvolvimento brasileiro e buscava entender como o Brasil alcançou o crescimento autossustentado. Ele debatia sobre a desigualdade de renda e defendia a industrialização contra o atraso no desenvolvimento.

Apesar dos inúmeros cargos ocupados no país e no exterior, ele se considerava um homem de pensamento e não um homem de letras, de títulos. É nesse sentido que escrevo sobre sua obra tão importante na formação de pensadores e de pessoas comprometidas com a prática do estudo profundo social. Só assim, alcançaremos um desenvolvimento econômico, sustentável e permanente para a nossa nação!


Por Carlos Chiodini, deputado federal por Santa Catarina




logo_rodape.png

Rua Adolfo Melo, 38 - Sala 902 - Centro | Florianópolis-SC | CEP: 88015-090 |
(48) 3298-7979 | jornalismo@adjorisc.com.br