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O serviço público e a profecia autorrealizável, por Marcelo Gomes Silva

Profecia autorrealizável é uma crença que faz as pessoas esperarem ou acreditarem que alguma coisa aconteça, alterando seu comportamento. Assim, elas passam a agir como se a previsão já fosse real e, dessa forma, a profecia acaba por se realizar efetivamente. 

A alegoria serve para externar a preocupação com os rumos dados ao serviço público. Sob a crença de que ele é ineficiente, justificam-se medidas como reformas, diminuição da estrutura e da proteção aos servidores públicos.

A consequência é óbvia: com redução de investimentos e pessoal, para mais trabalho, e com menos garantias a essas pessoas, o serviço público se tornará ineficiente, realizando a profecia.

A pandemia veio reforçar a importância dos servidores públicos: médicos e enfermeiros estão na linha de frente; policiais seguem nas ruas; membros do Ministério Público e magistrados aumentaram sua produtividade, agilizando investigações e a tramitação dos processos judiciais. Esses são alguns exemplos do que a população deseja e que, efetivamente, estão acontecendo.

Começa, agora, a discussão da reforma administrativa, como salvação do país, como também seria a reforma da previdência e a trabalhista. Mais uma vez os servidores públicos são o alvo. A pergunta que fica é: com um serviço público desestruturado e desmotivado, a quem a população irá recorrer quando precisar? A resposta diz muito.


Marcelo Gomes Silva, presidente da Associação Catarinense do Ministério Público (ACMP)


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