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O cinema como recurso na educação, por Luiza Lins

O cinema como espaço de ensino e aprendizagem é uma oportuna reflexão num cenário ainda pandêmico em que novas metodologias de ensino foram postas à prova. Passados 125 anos da exibição do primeiro filme, hoje é indiscutível o papel do audiovisual na propagação de ideias, fatos e como linguagem no registro da realidade social. Para além do entretenimento, é um instrumento de validade científica para ser usado na educação.

O direito à cultura para as crianças é assegurado na Constituição. A arte desde a infância apoia na construção do conhecimento de mundo e na ampliação de possibilidades da criança de ser e de sentir. Permitir o acesso ao cinema amplia o conhecimento das crianças e as permite sonhar com mundos não conhecidos. 

O cinema nos ajuda a lidar com a realidade a partir da ficcionalização de fatos e contextos. É como aquele olhar "de fora" sobre uma questão que talvez seja difícil perceber quando a estamos vivendo. Também nos aproxima de culturas distantes e diferentes paisagens. Desse modo, ajuda a ampliar os horizontes éticos e estéticos, dimensão fundamental para uma educação libertadora. 

Há muitas formas de trabalhar com audiovisual na educação. Temos a exibição de filmes, que exige um trabalho de curadoria, programação e mediação junto aos estudantes. Os cineclubes escolares são um exemplo. Podemos pensar na produção coletiva de um audiovisual (filme, videoclipe, remix, trailer, jornal etc), que agrega saberes, referências e práticas tanto do/a professor/a quanto de estudantes. Ou ainda a montagem de uma instalação artística com projeção de imagens e sons. 

E é importante garantir a diversidade cultural, estética e de linguagens dos filmes exibidos, fundamental para a formac?a?o da conscie?ncia e da cidadania. Essa e? a principal raza?o pela qual se deve pensar o cinema como formador cultural. Uma crianc?a que ve? na tela a cinematografia de seu pro?prio pai?s e de muitos outros, vera? o mundo sob o?ticas variadas. O resultado mais imediato e? que ela será mais cri?tica, exigente e informada. Paralelamente, e? preciso tambe?m abrir as portas do cinema a grupos ainda marginalizados no acesso a atividades culturais. 

 Ao longo de quase 20 anos, a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis tornou-se referência no Brasil. Como conquista, além da qualidade de conteúdos, temos apropriação maior das escolas em relação à importância do cinema - a Lei 13.006, de 2014, obriga a exibição de cinema brasileiro nas escolas. 

Para além da Mostra, temos o Circuito de Cinema para Crianças e Jovens, que em 2020 terá programação voltada para profissionais da educação. Entre os dias 31/8 e 8/9, teremos uma agenda online de conversas e transmissões de filmes catarinenses, além de oficinas com o coletivo Móbile Educacional. Sabemos o quanto professoras/es estão sobrecarregadas/os e tentando com todo o esforço se relacionar com as crianças por meio da internet. Os conteúdos disponibilizados nesta edição do Circuito serão um aprendizado a ser incorporado a partir de agora, porque concretamente teremos muitas mudanças na educação daqui para frente.


Por Luiza Lins, diretora da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis e do Circuito de Cinema Catarinense para Crianças e Jovens. O artigo teve colaboração de Karine Joulie, educadora audiovisual e produtora cultural, mestre doutoranda em educação 



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