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Navegar é preciso, por Osvaldir Ramos

O surto do Coronavírus está mudando dramaticamente a maneira de como as pessoas vivem...

Muitas dessas mudanças serão temporárias, mas em outras epidemias constatou-se ao longo da história, mudanças profundas na sociedade.

Na educação nós somos conhecidos pela tradicional ação de privilegiar o contato físico, portanto necessitamos urgentemente recriar o modelo educacional, precisamos apostar em um novo modelo de sistema, tornando outras alternativas de ensino possíveis, assim facilitando a dinâmica de trabalho do profissional da educação.

A situação momentânea exige mudanças, apontando para uma poderosa consciência do que é possível para nós no futuro da educação brasileira. A pandemia desencadeada pela disseminação do Coronavírus (COVID-19) nos coloca diante de muitas questões complexas.

Segundo dados da Unesco metade dos alunos do mundo está sem aulas por conta do COVID-19. No Brasil, desde a última segunda-feira (16), escolas públicas e particulares gradualmente suspenderam as aulas.

Com esta breve reflexão, pretendemos discutir algumas relações entre Coronavírus e educação não presencial.

A educação não presencial não se restringe à educação a distância, pois harmoniza o conjunto de processos de ensino e aprendizagem realizados pela mediação tecnológica ou não, possibilitando a criação de novos espaços, inaugurando o ensino híbrido na educação básica, mesclando atividades on-line com off-line com foco nos processos educativos.

Há muitos anos convivemos com provocações que anunciam o aprofundamento do processo de digitalização decorrente da revolução informacional e seus desdobramentos na educação.

A tecnologia se impõe como condição para a aprendizagem, porém requer muita parcimônia, assim, não querendo advogar a favor do determinismo tecnológico, seria forçoso reconhecer que a exclusão digital pode comprometer o desenvolvimento cognitivo dos nativos digitais e, em certo sentido, o próprio desenvolvimento do país.

Ficou evidente neste momento de crise nacional, olhando exclusivamente para a educação, que estão prejudicados aqueles que não têm condição de acesso para aprender, como também aqueles que têm acesso, mas não estão em condições ótimas de aprendizagem por falta de orientação pedagógica coerente e consistente, vendo a educação X tecnologia.

A desigualdade de condições imperam em todo o território nacional, sendo os mais diversos, onde encontramos professores que não sabem como podem aproveitar as potencialidades tecnológicas para ampliar suas competências pedagógicas, bem como alunos que estão muito aquém da sonhada infraestrutura escolar e familiar desejada.

No contexto da pandemia, mesmo que haja encaminhamentos uníssonos na direção de atividades on-line, atividades não presenciais, para o salvamento do calendário letivo, fica claro que a educação on-line ainda está longe de ser uma realidade possível para os alunos carentes, do mesmo modo que não representa uma realidade ideal para os mais abastados economicamente.

O conhecimento e a compreensão digital continuam sendo um desafio político, social e pedagógico, onde urge a definição de orientações e de políticas públicas para este contexto, principalmente políticas para a formação e capacitação dos profissionais da Educação nesta direção.

Necessitamos ajustar a legislação vigente da educação à contemporaneidade, para que os sistemas educacionais superarem o paradigma da mera transmissão de conhecimento e informação.

Não poderemos confundir a transformação tecnológica com a inovação pedagógica, seria um equívoco, pois no cenário educacional há muitos casos de mera mudança de um modelo pedagógico conservador para um ambiente de tecnologia inovadora.

Sendo assim, os professores precisam estar mais atentos à dinâmica de aprendizagem, ou seja, dispostos a explorar os recursos virtuais para a realização de atividades interativas e desafiadoras que sejam capazes de mobilizar os alunos para os estudos.

O profissional da educação não pode ser considerado o culpado desta história, pois avidamente esperam por soluções, que estão atreladas as decisões dos gestores da educação, dos líderes institucionais e, inclusive, dos governantes. Também não podemos excluir o papel fundamental das famílias e dos próprios alunos nesse processo, já que inovar exige assumir riscos e responsabilidades, com mudanças nas posturas habituais.

Diante desta constatação a Presidência do Fórum Nacional dos Conselhos e Estaduais e Distrital de Educação (FNCE), que a presidência está com o Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina (CEE/SC), reuniu - se no último dia 02 de abril de 2020, por videoconferência, para discutir proposições de abrangência nacional, idealizando contribuir com as mudanças profundas na política educacional do país, inclusive, apontando indicativos para a adequação da Lei de Diretrizes de Base da Educação (LDB) aos cenários atuais, bem como debatendo a necessidade da retomada de discussões de encaminhamentos concretos para a efetivação do um Sistema Nacional de Educação, que balizará a organização da educação em nível nacional.

O Fórum Nacional do Conselhos Estaduais e Distrital de Educação (FNCE) tem um papel fundamental neste momento vivido pela educação brasileira, com a missão de apontar o caminho a partir das demandas advindas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, atendendo as imposições da contemporaneidade, "pois se navegar é preciso", inovar é decisivo e defender é imperativo.


Por professor Osvaldir Ramos, presidente do Fórum Nacional do Conselhos Estaduais e Distrital de Educação (FNCE) e do Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina (CEE/SC)




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