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Economia circular é urgente, por Leo Cesar Melo

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que a utilização global de materiais triplicou nos últimos 50 anos. E, se nada for feito, esses números podem dobrar até 2050. Os impactos ambientais são óbvios e amplamente reverberados, mas muitas companhias não parecem se atentar para outra consequência do atual modelo de consumo, que consiste em extrair, produzir e descartar: as perdas financeiras que a economia linear causa diariamente.

De acordo com um estudo recente da Accenture, empresa multinacional de consultoria de gestão, tecnologia da informação e outsourcing, a transição para uma economia circular poderia gerar até 4,5 trilhões de dólares para a economia mundial nos próximos 10 anos. E, além de um alto potencial para gerar novas oportunidades de negócio, as organizações também se reenquadrariam dentro de um novo aspecto de impacto ambiental e social. 

Neste novo modelo, o foco está em gerar cada vez menos resíduos, implantando soluções de reaproveitamento do que antes era considerado lixo ou descartável. Ou seja, na economia circular todos os elementos da cadeia produtiva são reutilizados, seja voltando à mesma linha de produção, seja na fabricação de novos produtos, tornando-se nutriente para um novo ciclo. A consequência financeira passa a ser imediata, com menor consumo de matéria-prima, redução nos gastos com descarte de efluentes e resíduos sólidos e até mesmo uma nova fonte de renda a partir da venda desses insumos. Há ainda, dependendo do caso, como adotar soluções de reuso de água e transformação de efluentes tratados em energia elétrica. 

Porém, pelo que se vê até o momento, ainda temos uma longa caminhada pela frente. Prova disso são os números que foram apresentados no início de 2019, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, de um relatório sobre economia circular da Circle Economy (grupo apoiado pela ONU). Eles indicavam que apenas 9% da economia global é circular. Ou seja, menos de 10% das 92,8 bilhões de toneladas dos materiais usados em processos produtivos são reutilizadas. 

Adotar a economia circular exige das organizações um redesenho no modelo de negócio atual, e é importante que esse processo se inicie o quanto antes. Caso resistam por muito mais tempo pela adoção da economia circular e insistam no modelo linear em vigência atualmente, além de colocarem em risco a própria sobrevivência, as organizações também estarão pondo em risco o futuro das próximas gerações.   

Por Leo Cesar Melo, CEO da Allonda Ambiental


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