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Coronavírus deixará marcas e trará grandes aprendizados, por Vivien Aucar

Embora estejamos falando de um cenário extremo que pode afetar diretamente a saúde física e financeira de todos, não há motivos para desespero. A situação exige exatamente o contrário: planejamentos e paciência. Essa experiência fortalecerá nossa capacidade de adaptação, nossa solidariedade com o próximo e, principalmente, nos obrigará a colocar em prática muitos aprendizados sobre educação financeira.

O impacto no orçamento doméstico talvez seja o maior desafio para nossa sociedade. Ter uma boa gestão financeira se tornou mais importante do que nunca. Trabalhar em home office ou estar em isolamento social não significa que iremos gastar menos.

Algumas despesas podem realmente diminuir como transporte e alimentação em restaurantes, afinal, cozinhar em casa acaba saindo muito mais barato. No entanto, outros gastos dentro de casa podem aumentar, como o maior consumo de luz, ar condicionado, geladeira, televisão e internet, por exemplo.

Chegou a hora de analisar em detalhes o seu orçamento doméstico e enxugar tudo o que não é essencial neste momento. É melhor trabalharmos com um cenário pessimista e nos surpreendermos positivamente do que o contrário.

Você sabia que, em média, 25% dos nossos gastos são com supérfluos e desperdícios silenciosos? Toda a economia gerada pode - e deve - ser direcionada a constituir reservas financeiras. Se você ainda não tem uma reserva de emergências que seja suficiente para cobrir ao menos de 3 a 6 meses as despesas da família, precisará fazer uma força tarefa agora.

O principal objetivo desta reserva é justamente nos dar folego e liquidez para enfrentar momentos como este. Quem já fez o dever de casa, chegou a hora de usá-la! Assim, você terá um pouco mais de tranquilidade nesta fase e poderá, inclusive, direcionar parte das economias para outros investimentos, aproveitando as boas oportunidades do mercado.

Infelizmente, os impactos negativos em emprego e renda serão inevitáveis na sociedade como um todo. Em momentos de crise é comum ocorrer o seguinte efeito cascata: diminuição na produção e no consumo, menor crescimento do país (ou até uma nova recessão) e aumento na taxa de desemprego.

Para aqueles que podem trabalhar em home office, é preciso focar em ser produtivo durante a quarentena. O ambiente de trabalho em casa exige organização e concentração. E esta nem sempre é uma tarefa fácil para quem tem filhos sem aulas e cheios de energia.

Por isso, é importante tentar estabelecer uma rotina de atividades para todos, com horários definidos para almoço e intervalos.

Já aqueles que não tem condições de trabalhar em home office, como muitos profissionais autônomos, do comércio e serviços em geral, haverá uma importante redução ou interrupção da renda neste momento.

E é aqui que está o grande desafio para quem não constituiu a reserva de emergências. Além de enxugar ao máximo o orçamento é preciso tentar negociar dividas e prazos, priorizando as despesas essenciais como o aluguel e condomínio, por exemplo.

Os empresários, donos de pequenos negócios, também enfrentarão a redução no movimento de clientes e precisam se preparar para esta baixa no faturamento.

Sobre os impactos nos investimentos é hora de ter muita calma, paciência e não tomar decisões influenciadas pelo nervosismo do mercado.

O mercado financeiro precifica os investimentos todos os dias com base em expectativas e incertezas. E muitas vezes essa precificação não reflete os fundamentos reais, mas sim, o medo dos investidores. Em momentos de crise, muitos investidores solicitam resgates de suas aplicações e realizam prejuízos desnecessários. A volatilidade afeta tanto investimentos de renda fixa (prefixados) como a renda variável. Estudo realizado por uma das maiores corretoras dos EUA mostrou que, em outros surtos e pandemias ocorridos desde 1970 -como H5N1 (gripe aviária), Sars e H1N1 (gripe suína), as Bolsas retomaram a tendência de alta entre um e seis meses após o evento.

No caso do Coronavirus não temos nenhuma garantia de que isto irá acontecer. E é por isso que Investimentos em renda variável não são recomendados para objetivos de curto prazo.

Infelizmente, nos últimos meses muitos brasileiros tomaram mais risco do que o indicado para o seu perfil de investimento influenciados apenas pelo bom histórico de rentabilidade. Aqui está a importância de buscar orientação adequada antes de investir. As aplicações devem ser compatíveis com o grau de tolerância a risco, objetivos e prazos.

Mas, ao mesmo tempo que esta volatilidade pode tirar o sono de alguns, também pode representar oportunidades para aqueles que tem dinheiro para investir.

No mercado financeiro, existem diversas opções de aplicações com riscos e estratégias diferentes. Muitas delas são inversamente proporcionais, como é o caso do dólar e da bolsa brasileira, por exemplo. Aquela história de não colocar todos os ovos na mesma cesta diz respeito a isso. Se algumas estratégias estão perdendo, podemos equilibrar o resultado com outras que tendem a se valorizar.

Em resumo, a boa diversificação continuará sendo o melhor caminho para o investidor. E por mais difícil que essa crise esteja sendo, é preciso aprender com ela.


Por Vivien Aucar, especialista em investimentos e educação financeira da Unicred SC/PR


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