ARTIGOS

Artigo: Fazer com coração

22 Dezembro 2017 16:51:00

O coração humano começa a bater aos 25 dias de vida do feto e segue trabalhando sem intervalo até o nosso último suspiro, batendo de 60 a 100 vezes por minuto, em condições normais. Algumas vezes, porém, essa média extrapola, e muito. Foi o que aconteceu comigo na manhã de 17 de dezembro, quando participei como paraninfo da formatura da turma 2017 da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. O convite, iniciativa dos alunos, foi uma surpresa para mim, que nada sei sobre as técnicas do ballet

Meditei algum tempo sobre o que diria àqueles artistas tão especializados, então me veio à mente falar sobre o que temos em comum. Sobre emoção. Sobre o que faz o nosso coração bater mais forte.

Estar com eles aquela noite me deixou verdadeiramente emocionado, por muitas razões. Há dez anos estive na Rússia e tive o privilégio de estar no berço do Bolshoi e lá conhecer o mestre Vladimir Vasiliev, a quem reencontrei em Joinville no início desse mês. Aos 77 anos, um dos maiores bailarinos vivos exala algo que aqueles recém formados levarão pelo resto de suas vidas: a paixão pelo que fazem.

Me emocionei por todos os professores que já passaram por aquele teatro, os alunos que se tornaram professores, os profissionais dos bastidores que cuidam dos cenários, da iluminação, do som, dos figurinos e garantem que todos os detalhes saiam impecáveis. Os cerca de 300 bailarinos que se formaram desde o início das atividades em Joinville. Todos que colocam seu coração a serviço dessa instituição. Todos que tornam realidade o sonho de Vasiliev e de Luiz Henrique da Silveira de fazer a melhor Escola de Ballet do mundo.

O Bolshoi vai muito além de uma escola para a formação de bailarinos. Ele forma cidadãos. São necessários oito anos de dedicação à dança, ao corpo, à alimentação, ao psicológico. Sem contar os muitos anos anteriores ao ingresso nessa escola, a concorrência e os obstáculos enfrentados.

Cada aluno ali formado tem uma história de superação para contar. Cada família sabe bem o que passou desde o começo, desde que a dança falou mais alto no coração de cada um. Desde que o sonho começou a ser materializado com muito esforço e dedicação. Com coração. Poder, mesmo que modestamente, fazer parte disso, me emociona. 

Eu acredito muito no poder de superação, especialmente dos mais jovens. De quantas coisas eles precisaram abrir mão para chegar até esse momento? Quantas vezes seus corações aceleraram antes, mas por medo, insegurança? Deu tudo certo. Mas só deu certo porque esses jovens têm um objetivo de vida. Algo bom pelo que lutar. Algo que os moveu em frente e os fez não optar pelo mais fácil. A recompensa chegou. Numa sociedade em que vemos tantos jovens perdidos, sem rumo ou no caminho errado, eles são exceção. Aproveitaram e agarraram com unhas e dentes as oportunidades que tiveram. E agora são bailarinos do Bolshoi. E esse não é o final da história, mas o começo de uma nova fase e de novos e maiores desafios, para os quais eles precisarão manter a mesma garra. 

Bolshoi significa Grande. Cada um dos alunos que consegue se formar é um grande bailarino e um grande ser humano. Que sigam assim, dançando com o coração, vivendo com emoção. Para pessoas como eles não existem limites. Por me proporcionar fazer parte disso, meu muito obrigado! De coração.



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