ARTIGOS

Artigo: Empreendedorismo de guerra, por Antonio Gavazzoni

06 Outubro 2017 08:41:00

Em artigo encaminhado aos jornais da Adjori/SC, advogado fala sobre sua visita a Israel e como o país pode ser exemplo para SC

Antonio Gavazzoni, advogado e doutor em Direito Público

Recentemente tive a oportunidade de conhecer Israel, um país interessante sob vários aspectos. Criado há somente 68 anos, convive desde seu início com uma história de guerra. Preso a essa informação, viajei preocupado com minha segurança. Mas, desafiado pela curiosidade em conhecer um país de cultura inovadora, líder em tecnologia militar, encontrei um ambiente extremamente seguro. Aliás, segurança é a marca registrada de Israel.

Por conta do permanente estado de guerra, os israelenses se tornaram os melhores nessa área. O país é o primeiro do mundo em qualidade de instituições científicas e em gastos nacionais em Pesquisa e Desenvolvimento.

Numa das indústrias que visitei, fiquei impressionado com a narrativa de uma jovem chamada Tom, instrutora de tiro em uma das líderes em produção de armamentos. Antes de ingressar nesse trabalho, ela serviu o exército. Segundo ela, "Israel não existiria sem o exército". Lá, todos os jovens passam pelo serviço militar: homens por três anos, mulheres por dois. É comum ver esses jovens portando armamentos nas ruas.

Muitos desses mesmos jovens, após a baixa do exército, ganham uma bolsa de viagem internacional que lhes proporciona conhecerem outros países por um ano, para somente na volta ingressarem numa faculdade. Forjados nessas condições, os jovens israelenses amadurecem rapidamente pelos desafios impostos pela realidade do seu país. Desde os que ocupam cargos de gerência ou diretoria, até os profissionais técnicos dessas empresas israelenses, quase todos são fluentes em outras línguas, dominam conhecimento técnico de excelência e, além de maduros, são gentis e educados com os visitantes, em que pese o estado de guerra.

Perguntei à Tom sobre a convivência entre judeus e árabes. A resposta foi direta: "eles não nos querem aqui". De outro lado, me relatou também que quase 25% da população de Israel é formada por árabes, nacionais de Israel e que convivem pacificamente no país. Ali eles têm suas propriedades e preservam seu modo de vida e o respeito à sua religião com harmonia e respeito aos peregrinos que lá chegam para visitar os locais sagrados. Israel é o único país do mundo onde o judaísmo é seguido pela maioria da população. Mas o cristianismo e o islamismo também têm grande número de fiéis entre os cidadãos israelenses.

Por essas e outras características, esse país de oito milhões de habitantes surpreende. Em termos comparativos, em Santa Catarina somos sete milhões. A experiência em superar desafios, aliada a uma política desenvolvimentista levou Israel a conquistar indicadores mundiais invejáveis. O país investe 9,2% do seu PIB em educação (a meta do Brasil é chegar a 10% em 2014). A cada dez mil israelenses, 140 são engenheiros. Nos Estados Unidos são 85 e 65 no Japão.

Esse alto nível educacional conferiu a Israel uma das menores taxas de desemprego do mundo (5%) e levou o país a se tornar membro da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. O domínio de tecnologias avançadas - de nanotecnologia até tratamento de água, tem atraído muitos países a fazer negócios lá. Além do alto conhecimento científico e tecnológico, o país tem um povo acolhedor e criativo. Israel é um "jovem" que tem muito a nos ensinar.

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