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A segurança pública e o inimigo invisível, por João Carlos Pawlick

Nessa verdadeira guerra que estamos travando contra o Coronavírus, há um grupo de profissionais que não pode escolher ficar em segurança, em casa, com suas famílias, esperando tudo isso passar: são os trabalhadores da saúde, limpeza, dos mercados e farmácias, do agronegócio, caminhoneiros, entregadores, entre outros serviços essenciais que merecem todo o nosso respeito. Mas o foco deste artigo é o profissional da segurança pública, em especial os praças da polícia e dos bombeiros militares.

São eles que fazem a linha de frente para garantir o cumprimento da quarentena, conforme o decreto do Governo do Estado, que vem registrando um aumento exponencial do número de casos confirmados.

Santa Catarina, segundo estudos, é o Estado que mais tem respeitado a regra no país. Mas além da disciplina do catarinense há o trabalho firme dos policiais e bombeiros militares que trabalham nas ruas evitando aglomerações, restabelecendo a ordem e colocando a vida em risco.

Se até então estávamos acostumados a enfrentar perigos visíveis, agora, ninguém vê o inimigo. Hoje, além de enfrentar o crime organizado, evitar levar uma bala, ser ferido e morrer em uma ocorrência de rotina, os policiais militares precisam se preocupar em não ser contaminados. E, dada a natureza do trabalho, que exige o contato físico com o suspeito, o desespero é grande entre esses agentes.

Segundo relatos de policiais e bombeiros militares catarinenses, o medo maior é de levar a doença aos familiares. Mesmo com equipamentos de proteção (que ainda não são suficientes para todos os militares), a preocupação é frequente por ser um inimigo desconhecido. Afinal, trata-se de uma ameaça sanitária que foge do conhecimento do policial e do bombeiro militar.

 Enquanto os profissionais de saúde enxergam o perigo, pois lidam com pacientes suspeitos/ contaminados (e estão, claro, ainda mais expostos), os trabalhadores da segurança lidam com todo o tipo de gente que não sabe se está ou não com o Coronavirus.

Exemplo: um bar aberto cheio de gente que desrespeita o decreto do governo. A revista, muitas vezes, é inevitável. Uma briga de rua... Ou, em uma ocorrência de trânsito, o bombeiro militar inevitavelmente terá contato com a vítima, mas estará 100% focado em salvar aquela vítima, mesmo colocando a própria em risco. Porque sempre foi assim.

O fato é que a atual problemática pode gerar uma série de conflitos nos quais o militar poderá ser acionado e ameaçado. Aqui em Santa Catarina, ninguém quer que o sistema de saúde entre em colapso, mas se faltar leitos e o número de suspeitos aumentar? Um conflito social pode ser inevitável. Também ninguém quer que o trabalhador fique sem renda, mas se a situação piorar isso pode levar a crimes contra o patrimônio. E a PM, claro, é a vacina.

Em quarentena, os conflitos se potencializam. Logo, mais brigas podem acontecer. Adivinha quem é chamado? Adivinha quem tem de conter a situação?

Aliás, o policial e o bombeiro militar, como sempre, continuam sendo chamados para todo tipo de ocorrência, inclusive envolvendo pessoas com suspeita de Coronavírus.

Aqui em Santa Catarina são mais de 160 casos de policiais militares e 18 bombeiros militares sendo monitorados. A tendência é que esse numero seja maior, dada a dificuldade de confirmar.

A Diretoria de Saúde e Assistência Social-DSPS da PMSC divulgou canais de atendimento e orienta policiais e bombeiros militares em caso de suspeita. Tem dado todo o suporte.

Pelo mundo, os casos se espalham. Em Nova York, o epicentro da pandemia no Estados Unidos, 500 policiais testaram positivo. Lá, mais de 4 mil policiais apresentaram algum problema de saúde. Na Europa, os casos também só aumentam.

O cenário assusta e mantém a Associação de Praças de Santa Catarina (Aprasc) atenta e monitorando os casos para garantir a proteção dos praças. Afinal, os policiais e bombeiros militares já vivem diariamente, em tempos normais, uma guerra diária. Enfrentamos escalas duras, condições de trabalho que não são ideais e não ganhamos insalubridade.

Agora é importante que todos estejam unidos nessa luta. Mas é preciso entender que somos a última barreira humana entre a sociedade e o caos. Nosso trabalho deve ser respeitado e valorizado, principalmente quando o policial e o bombeiros militar estão em guerra contra uma ameaça invisível e por todos que estão em casa.

Aliás, se puderem, fiquem em casa.


Por João Carlos Pawlick, presidente da Associação de Praças de Santa Catarina (Aprasc)



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