ARTIGOS

A pandemia e os impactos irreversíveis na Educação, Paulo Arns da Cunha

Mais de 1,5 bilhão de alunos e 60,3 milhões de professores de 165 países foram afetados pelo fechamento de escolas devido à pandemia do coronavírus. Nessa crise, educadores e famílias tiveram que lidar com a imprevisibilidade e, em benefício da vida, (re) aprendemos a ensinar.

Recebi um meme que traduz a mais pura realidade: não é o departamento de TI, o gestor de inovação ou o presidente visionário que está acelerando a digitalização das organizações. É a Covid-19. Pelo simples fato de o isolamento social ter obrigado o mundo a se adaptar às formas digitais de trabalhar, ensinar, aprender e interagir.

Uma questão a se pontuar é a desigualdade entre os sistemas públicos e privados da Educação Básica e a própria distância social entre as famílias dos estudantes. Enquanto alunos de escolas particulares aprendem por meio de diversos recursos e estratégias, como vídeo, envio de tarefas, mentoria e sessões em grupos para tirar dúvidas, muitos estudantes das escolas públicas sequer têm acesso à internet. 

Além disso, nem todos os municípios possuem estrutura de tecnologia para oferta de ensino remoto e nem todos os professores têm a formação adequada para dar aulas virtuais. Outra questão são os softwares desenvolvidos para funcionar em computadores - ambiente acessado atualmente por apenas 57% da população brasileira, segundo o IBGE.

Por isso, empresas, governos e organizações não medem esforços para mobilizar recursos e aplicar soluções inovadoras e adaptadas ao contexto para oferecer aulas remotas. É gratificante ver a mobilização global para aportar recursos e conhecimentos especializados em tecnologia, conectividade, inovação e criatividade a favor da Educação.

A questão é que fomos todos pegos de surpresa. Em maior ou menor grau, a comunidade teve que se adequar. E o ensino nunca mais voltará a ser o que era antes. Nos libertamos das paredes da sala de aula e descobrimos um mundo de oportunidades nas mãos dos jovens. Os professores vivenciaram novas formas de ensinar, novas ferramentas de avaliação e os estudantes entenderam que precisam de organização, dedicação e planejamento para aprender no mundo digital.

A crise do coronavírus terá efeitos perenes sobre a forma de aprender. O isolamento está criando novos hábitos e comportamentos, tanto nas famílias, quanto nas instituições de ensino, que estão revendo uma série de processos, estruturas e metodologias. Aprendemos que lidar com a imprevisibilidade exige um trabalho em grupo muito mais alinhado e que, mesmo distantes, podemos unir esforços em prol de um bem maior.

Toda crise é uma oportunidade de aprendermos algo novo e a única coisa que eu tenho certeza é que o mundo vai ser diferente depois da Covid-19. As crises ensinam aos que estão abertos ao novo. Espero, sinceramente, que depois dessa pandemia, a Educação volte melhor e mais forte. E que todos esses efeitos sejam irreversíveis.


Por Paulo Arns da Cunha, diretor executivo da Divisão de Ensino da Positivo Educacional


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